A B N E G A R C O N J U R A D O
Sou um forte sem sorte
À beira da morte,
Sou o amor que chega
E já quer ir embora.
Sou a nau que navega
E não sabe onde mora,
Sou a flor sem olor
Em busca de amor.
Sou o rosto sem gosto
Que sente o desgosto,
Sou a casa aberta
De porta fechada.
Sou a alma alerta
À sombra parada,
Sou o “cara”qual cara
A vida mascara.
Sou o lampejo d’um beijo,
Eterno desejo,
Sou a ave que voa
E some no céu.
Sou o sino que soa
Sobre a noiva de véu,
Sou o mar a clamar
Alguém p’ra falar:
Sou a estrada marcada
Na qual há parada,
A gente que vê
E não sabe o que fala.
Sou o homem que prevê
E que nada mais cala,
Sou coração em aflição
Que não sabe dizer não.
Sou o abraço dos teus braços
Que me seguem a cada passo,
Sou a mão estendida
A quase mais nada pretender.
Sou você em minha vida
E você tem que entender,
Sou um bom coração
Que só pede compreensão.
Sou a mente fremente
Que pede somente:
Amor, compreenda
E não me repreenda.
Sou a paz tenaz
Que agora jaz
Sou o manto quente
Qual calor sempre sentes.
Sou o amor e amor
P’ra lhe dar amor
Sou o olhar triste porém hábil,
Sou o peito em chamas que se abre,
Sou o lábio sábio
Que nunca mais se abre,
Sou guerreiro vencido
Procurando o amor perdido.
CPN,1970/1971 MARCOS RS RAMASCO.
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